biografia & ateliê

KIARA DAMAS
Ainda é muito difícil falar sobre mim e me apresentar, e algo me diz que isso deveria ser algo formal, mas acho que tenho licença poética pra não fazer, né?! Espero que sim, porque a comunicação do meu trabalho é essa: íntima e natural.
Tenho 27 anos e há sete vivo da arte. Estudo Artes Visuais na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e passo a maior parte dos meus dias dentro do ateliê: pintando, criando, sentindo e vivendo.
Por muitos anos, conduzi a FRAG, minha própria marca de quadros e artesanatos para casa, ao lado da minha sócia e melhor amiga. Foi uma das fases mais importantes da minha trajetória, onde me encontrei e me desenvolvi até chegar aqui.
Nos últimos anos, a pintura e as cores têm sido meu foco, mas minha conexão com a arte vai além. Já passei por cursos de cinema, teatro, animação, cenografia, escultura e cerâmica. Me envolvi com instalações, papelaria e tudo que me permitisse explorar novas formas de criação. Não vejo limites para o que pode ser feito.
A música é, sem dúvidas, minha maior inspiração, companhia e guia. É nela que encontro ritmos que enxergo como cores e sons que traduzem movimentos. Carrego comigo a frase “eu sinto cores”, porque é exatamente assim que vejo o mundo. Quando começo um projeto, as cores são sempre meu ponto de partida. Linhas também estão sempre presentes no meu trabalho, representando o movimento, que é um tema constante na minha arte e na minha vida. E, claro, o floral aparece com frequência. Sou apaixonada pela natureza, e ela tem um peso enorme nas minhas inspirações.
Meu trabalho hoje tem dialogado cada vez mais com a arquitetura. Gosto de pensar na pintura como um elemento que transforma e interage com os espaços, conversando com suas formas, texturas e proporções.
Tenho viajado pelo Brasil deixando meus murais por aí e trocando experiências com outros artistas e viajantes. Meu desejo é rodar o país inteiro, conhecendo as inúmeras culturas que temos e fazendo parte delas com minha pintura.


Aos poucos, venho construindo minha identidade visual, mas sei que ela ainda vai mudar muito. Esse é um dos maiores desafios para nós artistas: primeiro se encontrar, depois, se permitir mudar. Criei este espaço para registrar as fases da minha arte, que ainda não sei onde vão me levar, mas tenho aproveitado o caminho, e sentido, cada vez mais, vontade de compartilhar.
No meio dessa trajetória, criei o meu lugar favorito no mundo, o meu ateliê:





eis o meu cantinho. é aqui me minha vida acontece. criei esse lugar surgindo de uma necessidade, sem planejar que fosse um “ateliê” e agora ele já está em sua segunda versão.


encontrei esse lugar totalmente abandonado e inacabado. eu precisava de um canto já que meu pai não gostava do volume da minha música no escritório dele (taí um motivo pra pegar as tralhas e vazar, né?!)
eu só ia colocar uma mesa qualquer.. mas aí na bagunça encontrei minha maior herança: um monte de coisera que meu pai não jogava fora nunca. achei tinta de parede vencida, móvel velho e espelho quebrado.



e foi aí que eu virei marceneira, pedreira, pintora, eletricista e pau pra toda obra. carreguei coisas que nem aguentava e montei móveis bem maiores que eu. enfim, fiz muito do que eu nem sabia que era capaz (e sem poder gastar um real)




ele fica dentro da marcenaria do meu pai. apesar de às vezes me incomodar, acho legal a trajetória para chegar nele: você passa por um caos, máquinas barulhentas e muito pó. encontra uma escada e sobe sem entender muito, do nada uma portinha & tchanannn. gosto de olhar para ele e pensar no conselho da minha mãe: comece com o que você tem. a gente tem muito e nem sabe. esse lugar parecia uma sauna, dividi parede com um compressor de ar extremamente barulhento, paredes rebocadas e peguei madeira do lixo para fazer minhas mesas.


isso tudo aconteceu em uma das fases mais difíceis da minha vidinha e foi fundamental para eu me erguer.
para algumas pessoas isso pode parecer pouco, para outras, muito. pra mim, é gigante! transformar o que era feio em belo é uma das coisas que mais me impressiona em deus, então pra mim essa é uma analogia do que ele faz todos os dias. e isso é lindo!


